TODO MUNDO tem fome. Se não é de arroz e feijão, é de amor. Alguém, que não eu, escreveu isso. Em outro contexto, em uma música qualquer. O tal do Criolo, talvez. É lógico que, para efeitos poéticos, ele colocou tudo em uma frase só. Mas isso pouco importa. O que importa é que eu, um tanto eunuco, de vez em sempre misantropo, diria; costumo repetir a frase, ou melhor, o conjunto de frases, hora sim e outrora também, toda vez que observo um casal nas ruas da cidade.
Todo mundo tem lá suas fomes, e eu também tenho as minhas. Minha barriga está saciada, obrigado. Mas tenho fome do que há muito perdi. O amor, se é que o leitor inexistente entende. O amor também é digno de nossas fomes. E não há literato que consiga expressar, nessa velha arte a que chamamos prosa - que se pretende poesia sem o uso dos versos - a inexistência do sentimento.
O vazio é bem mais poético do que o cheio. O vazio é, per si, a ausência do que há. E o vazio existente, ou melhor, inexistente, no estômago dos sentimentos é o que há - ou melhor: não há - de mais sentimental na vida de um misantropo como a pobre criatura que vos escreve. A fome, meus caros, é a ausência de amor. E a ausência de amor, como a ausência de suprimentos indispensáveis à vida mundana, causa à morte.
Morte do pior tipo: aquela que se dá em vida.
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