A passagem do tempo é irremediável. Não há nada, não
existe um catalisador ao contrário, um botão de start, nada pode reduzir a
marcha – lenta e incessante - do tempo.
O frio que existe lá fora é o agora. Amanhã sei que
o tempo mudará: mudará porque passou, e o amanhã já não será o que hoje é o
agora. No entanto, o agora de amanhã também se chamará agora. Minha sentença é
digna de Confúcio, mas confusão mesmo é o que reside no meu pensamento.
O tempo é escasso. Imprevisível.
Há guerras, brigas, choros, tristezas, egoísmo,
egocentrismo, falta de empatia, humilhações: e o tempo, tão curto, tão breve,
tão frio e calculista, é gasto – sem a mínima reflexão – com toda sorte de
sacrilégios. E depois vem a morte – reflexo do tempo que chegou, passou, ou
deixou de passar – e o que resta de tudo o que existiu é a lembrança.
Lembranças são vidas que morreram, tristezas que
inexistem de fato, mas que existem no âmago de quem lembra.
O homem atrás do bigode – aquele dos versos de
Drummond – hoje acordou sem saber para onde iria. Pegou o metrô, pois os bondes
não existem mais. São lembranças. Viu pernas brancas, negras, amarelas e se
questionou o porquê de tantas pernas. Mas seus olhos não indagaram nada.
O homem atrás do bigode – que antes era sério,
simples e forte – hoje é apenas a lembrança nos versos de um poeta - poeta que
hoje também é só uma lembrança.
No futuro eu também serei uma lembrança. E esse
texto – mal
redigido, errático, sem estética – também será uma lembrança de
outras lembranças.
E eu serei pó.
E quando se lembrarem de mim lembraram-se das
reminiscências que um dia escrevi.
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