ESCRITOS

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Tempos de união e empatia, poesia






Hoje eu acordei com frio.

Havia um cobertor grande mas eu estava com frio. Não há coisa melhor do que essa sensação térmica que parece ter sido criada por Deus justamente para acompanhar a poesia. Todas pessoas que escrevem, ou quase todas, conhecem a nossa santíssima trindade: o frio, o café e a poesia.

O frio une os casais apaixonados. O frio une os irmãos e as mães que moram na miséria da rua. Nele os corpos se unem num misto de amor, tristeza e esperança. O frio nos faz pessoas melhores, nos convida a praticar a empatia tão rara em tempos modernos. Ora pois, quem nunca se pegou pensando – em um desses dias gélidos e nostálgicos – como estariam as pessoas que moram nas ruas? O nosso sinônimo de indiferença e insensibilidade aquece os corações.

Hoje eu acordei com frio.

Penso nos casais que acordaram na mesma cama, abriram os olhos e focaram o rosto um do outro. É segunda-feira, eu sei, mas penso que talvez, em algum lugar, algum casal tenha se encarado por breves instantes e depois, sem perguntas nem palavras, se beijaram, se abraçaram, se protegeram da sensação gelada, pediram abrigo nos corpos um do outro. É uma troca de favores, é um momento de proteger e ser protegido. O frio une os corpos, as almas, os medos. Contrai o nosso egoísmo.

Imagino as mulheres acordando cedo e fazendo o café para os seus maridos, homens trabalhadores, que acordam cinco da manhã para cruzar a cidade e trabalhar em algum bairro nobre de São Paulo como pedreiros. Imagino estas nobres esposas fazendo a marmita escassa, dando um beijo com gosto de café em seu amado e pedindo que, por favor, ele volte cedo. Então ele sai, agasalho com uma jaqueta fria, para as ruas da cidade, para a batalha cruel, buscar o sustento da sua família, das suas crianças. Penso nos seus filhos acordando e indo pra escola com a mãe. O frio é nostálgico, é triste, é poético.

Penso agora nos homens sozinhos, andarilhos bêbados pelas ruas da cidade, pedindo dinheiro. Cada um com sua história, suas paixões de adolescência, sua falta de fé no mundo.

O que nos resta agora é praticar a empatia e nos unir, corpos em corpos, olhares em olhares, beijos em beijos. Nos unir contra o inimigo em comum. Nos unir para proteger e sermos protegidos. É em tempos de guerra que a união se faz mais presente e é em tempos de frio que a humanidade se faz mais humana.


M&M.

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